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Ar-condicionado para lojas de shopping: como dimensionar e aprovar o projeto

Foto do escritor: Jonathan Barbosa
Jonathan Barbosa
há 5 dias
4 min de leitura

Imagem ilustrativa


O ar-condicionado de uma loja de shopping não se escolhe pela área. Ele precisa vencer o calor de vitrines iluminadas, equipamentos e lotação nos horários de pico, trazer ar externo para quem está dentro e ainda seguir as regras técnicas do shopping.

Neste artigo, explicamos como o ar-condicionado de uma loja é dimensionado, o que as normas pedem de renovação de ar, quais sistemas os shoppings costumam usar e os erros que mais geram retrabalho.


Carga térmica: o que entra na conta além do m²


O ar-condicionado certo é definido pela carga térmica: o total de calor que precisa ser retirado da loja. A regra rápida de “tantos BTUs por m²” ignora justamente o que mais aquece um ambiente de varejo:

Fonte de calor

Por que pesa numa loja

Pessoas

A lotação em fins de semana e datas comemorativas define o pico

Iluminação

Spots, trilhos e vitrines ficam acesos o dia todo

Equipamentos

Caixas, telas, freezers, balcões refrigerados e fornos

Ar externo

O ar renovado entra quente e úmido e também precisa ser tratado

Fachada e vitrine

Lojas com face para o mall aberto ou para a rua recebem mais calor

Por isso, duas lojas do mesmo tamanho podem precisar de equipamentos bem diferentes. Uma sorveteria, com freezers e fluxo intenso de clientes, não se compara a uma loja de roupas de mesma área.

Quando o cálculo é feito no chute, há dois riscos: a loja fica quente no pico, ou o lojista compra um equipamento maior e mais caro do que precisava, com consumo de energia acima do necessário.


Renovação de ar: não basta resfriar


Além de climatizar, o sistema precisa trazer ar externo para dentro da loja. Sem isso, o ar fica abafado, com CO₂ e odores acumulados, mesmo com a temperatura certa.

A Resolução RE nº 9/2003 da Anvisa, referência para ambientes climatizados de uso público e coletivo, recomenda:

Parâmetro

Valor de referência

Renovação de ar externo

Mínimo de 27 m³/h por pessoa

Ambientes de alta rotatividade

Mínimo de 17 m³/h por pessoa

Temperatura no verão

23 °C a 26 °C

Umidade relativa no verão

40% a 65%

O projeto também segue a ABNT NBR 16401, a norma de instalações de ar-condicionado, cuja parte 3 trata da qualidade do ar interior. Num shopping, o ar externo da loja costuma vir de uma rede do próprio empreendimento, e o caderno técnico define o ponto e a vazão disponíveis.


Sistemas usados em shopping


O tipo de sistema é decidido pelo shopping, não pela loja. Os dois modelos mais comuns são:


Água gelada central

Equipamento próprio da loja

Como funciona

O shopping produz água gelada numa central e distribui até as lojas

A loja instala seu próprio sistema, como split, multi-split ou VRF

O que a loja instala

Fancoil (unidade que resfria o ar com a água gelada), ligado à rede do shopping

Evaporadoras dentro da loja e condensadoras em local definido pelo shopping

Ponto de atenção

Vazão de água disponível e cobrança pelo consumo

Espaço e rota para as condensadoras e para a tubulação

Em qualquer caso, a loja também precisa resolver o dreno da água condensada, a exaustão de copas, banheiros e cozinhas, e a energia para os equipamentos, que entra no projeto elétrico.


O que o caderno técnico do shopping costuma definir


O caderno técnico do lojista é o manual de regras de cada shopping, e o projeto de ar-condicionado parte dele. Em geral, ele define:

  • O sistema disponível: água gelada central ou equipamento próprio

  • A capacidade ou a vazão reservada para a loja

  • O ponto de entrada de ar externo e a vazão disponível

  • O local das condensadoras, quando o equipamento é próprio

  • O destino do dreno e da exaustão

  • Os documentos para aprovação, como memorial de cálculo, projeto e ART

O projeto só é aprovado quando respeita esses pontos. Copiar o projeto de outra loja da rede, feito para outro shopping, é um caminho comum para a reprovação.


Manutenção e PMOC


O projeto não termina na inauguração. A Lei 13.589/2018 obriga edifícios de uso público e coletivo com climatização a manter um PMOC, Plano de Manutenção, Operação e Controle, que organiza limpezas, trocas de filtro e inspeções (Jus.com.br).

Na loja, isso significa prever desde o projeto o acesso aos equipamentos: alçapões no forro, espaço para trocar filtros e limpar bandejas de dreno. Um equipamento escondido atrás de um forro fechado vira custo a cada manutenção.


Erros que mais geram retrabalho


  1. Dimensionar pelo m². A loja fica quente no pico ou ganha um equipamento caro demais.

  2. Esquecer a renovação de ar. O projeto pode ser reprovado pelo shopping, e o ambiente fica abafado.

  3. Deixar o ar para o fim. Dutos, luminárias, sprinklers e eletrocalhas disputam o mesmo forro.

  4. Não avisar a elétrica. Cada equipamento precisa de circuito e de potência disponível na loja.

  5. Não prever o dreno. Sem destino definido, a água condensada vira infiltração no forro.


Conclusão


Um bom projeto de ar-condicionado começa pelo caderno técnico do shopping, calcula a carga térmica real da operação e sai compatibilizado com as outras disciplinas.

Na Equus Engenharia, o ar-condicionado é projetado junto com elétrica, hidráulica, combate a incêndio e estrutura metálica, seguindo as regras de cada shopping. Vai abrir ou reformar uma loja? Fale com a gente pelo WhatsApp (11) 98830-3300 ou pelo e-mail contato@equusengenharia.com.br.



Fontes

 
 
 

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